Sunday, 21 September 2008

ANANSI I

Este tema foi proposto pelo "concurso internacional de ilustração-FIGURES FUTUR 2008".
Para quem estiver interessado, o conto que ilustrei pode ser lido nos comments.



Aspecto final da capa para o conto Ashanti - "Porque é que se encontram sempre aranhas nos cantos dos tectos".

Final illustration of the cover for the Ashanti tale - "Why spiders are always found in the corners of the ceilings".

Suporte: Watercolor paper 350g/m2
Dimensão: double page - 35x50cm
Médium: watercolors - raw sienna, dioxazine violet, burnt sienna and cerulean blue.

3 comments:

Matalonga Jorge said...

PORQUE É QUE AS ARANHAS SE ENCONTRAM SEMPRE NOS CANTOS DOS TECTOS?
Egya Anansi era um agricultor muito talentoso. Um dia, ele a sua mulher e o seu filho decidiram trabalhar durante um ano para preparar o seu terreno agrícola, numa área muito maior que as anteriores. Eles plantaram trigo, milho e feijões e foram contemplados com uma belíssima colheita. Era exactamente dez vezes maior que qualquer outra das precedentes. Egya Anansi sentiu-se muito satisfeito com a sua riqueza em trigo e feijões.

Ele era também um homem extremamente egoísta e ganancioso, nunca gostava de partilhar – nada – mesmo com a sua mulher e com o seu filho. Quando ele viu que a colheita estava perfeitamente madura, pensou num plano para que ele, apenas ele, a pudesse aproveitar. Chamou a mulher e o filho e disse-lhes o seguinte:
“Nós os três trabalhámos arduamente para preparar estes campos. Eles recompensáram-nos. Agora vamos reunir a colheita, pô-la em sacos e guardá-la no nosso celeiro. Quando isso estiver feito vamos precisar de descanso. Eu proponho que tu e o nosso filho regressem à nossa casa da vila e que fiquem lá à vontade durante duas ou três semanas. Eu tenho que ir à Costa tratar de um trabalho muito urgente. Quando eu voltar iremos todos para a quinta onde faremos uma festa bem merecida.

A mulher e o filho de Anansi acharam o plano muito bom e sensato, e rápidamente concordaram com ele. Regressaram directamente à vila, deixando o astuto marido a preparar-se para a viagem. Escusado será dizer que ele não tinha a menor intenção de a fazer.

Em vez disso, ele próprio construíu uma cabana muito confortável perto dos campos cultivados, e abasteceu-a de todo o tipo de utensílios de cozinha, reuniu uma grande quantidade de trigo e verdura que estava armazenada no celeiro, e preparou uma festa só para ele. Isto durou quinze dias. Após esse tempo, o filho de Anansi começou a pensar que já era altura de ir sachar os campos da quinta, antes que as ervas daninhas crescessem de mais. Logo , ele voltou à quinta e lá trabalhou várias horas. Ao passar pelo celeiro, olhou lá para dentro. Grande foi a surpresa ao ver que mais de metade da magnífica colheita tinha desaparecido.
Ele ficou bastante perturbado, pensando nos ladões que lá tinham estado e pensou num plano para prevenir futuros assaltos.

Voltando à vila, ele contou às pessoas o que tinha acontecido, e elas ajudaram-no a construir um boneco de borracha. Quando chegou a noite eles transportaram o manequim colante para a quinta e colocaram-na mesmo no meio dos campos da quinta para assustar os ladrões. Alguns dos homens mais novos ficaram com o filho de Anansi a vigiar um dos celeiros.

Quando era quase de noite, Eya Anansi (sem saber o que se tinha passado) saíu, como de costume, do seu esconderijo para ir buscar mais alimentos. A caminho do celeiro, ele viu à sua frente a figura de um homem, e ao princípio sentiu-se assustado. Percebendo que o homem não se mexia ganhou confiança e aproximou-se dele. «O que fazes aqui?» disse ele. Não houve resposta. Ele repetiu a pergunta com o mesmo resultado. Anansi ficou então muito zangado e deu um soco na face da silhueta com a sua mão direita. Claro que a sua mão ficou imediatamente colada à borracha. « Como te atreves a segurar a minha mão? » exclamou ele. « Larga-me imediatamente ou bato-te de novo». Então ele bateu na figura com a sua mão esquerda, que também ficou colada. Ele tentou libertar-se empurrando com o seu corpo, finalmente joelhos, mãos e cabeça ficaram firmente coladas ao homem de borracha. Então Enya Anansi teve que se deixar ficar ali até ao amanhecer, quando o seu filho apareceu com os outros homens da vila para apanhar o ladrão. Eles ficaram pasmados quando se aperceberam que o maldito autor da façanha era o próprio Anansi. Ele por seu lado ficou tão envergonhado por ter sido apanhado em pleno acto de ganância que se transformou numa aranha e refugiou-se num canto escuro do tecto para que ninguém o pudesse ver.

Desde então as aranhas são sempre encontradas no escuro, cantos poeirentos, onde as pessoas dificilmente as vêem.

In West African Folk-tales, reunidas por W. H. Barker &Cecilia Sinclair, C.M.S. Bookshop, 1917. (Tadução portuguesa de Matalonga Jorge)

armand said...

Oi Sofia,
Your dad's email led me to this great discovery!!
Your exposé reflects an interesting combination of technique, imagination and sensitivity.
I like it a lot.
Parabéns!
Greetings from Washington
armandpereira@yahoo.com

Matalonga Jorge said...

Hello Armando P.!
Thankyou for your friendly and nice words about my work... :)
Um abraço para ti
Sofia